setembro 19, 2003

A ocupação muçulmana

Pouco mais de um século duraram, porém, as coisas neste estado. Rodrigo, rei dos Visigodos, que para subir ao trono havia dele esbulhado o seu antecessor Witiza, foi o derradeiro monarca desta dinastia.
Os filhos de Witiza, tramando por seu turno contra o usurpador, acharam, entre os descontentes, numerosos partidários prontos a acolher-lhes as suas pretenções; desses o mais notável foi o conde Julião, que aproveitou assim o ensejo de vingar estrondosamente a honra de sua filha Florinda ultrajada pelo monarca.
Já nesse tempo os califas de Bagdade dominavam vastos territórios ao norte de África; e Julião, que então estava por governador em Ceuta, praça africana subordinada ao domínio visigótico, aliou-se com os árabes para expulsar do trono o violador de sua filha.
Era isto nem mais, nem menos, que entregar a pátria ao domínio muçulmano.
Tarik, atravessando rápido como um raio o pequeno braço de mar que separa as terras africanas das hispânicas, e a que hoje se dá o nome de estreito de Gilbraltar, derrotou o infeliz Rodrigo em julho de 711 na memorável batalha de Guadalete.
Depois seguiu-se o tumultuar da torrente arabica por sobre o solo da península, enquanto ao norte, nas Astúrias, em um recantosinho escondido entre penhascos, e inacessível às lanças dos invasores, se recolhiam as pouquíssimas relíquias que haviam escapado daquele tremendo naufrágio, mantendo ali naquelas brenhas os vestígios tradicionais do domínio godo e quiçá preparando ‘in mente’ futuras sublevações contra os actuais dominadores.

Para aqueles que chegaram pela primeira vez a este blog, esta é a transcrição de uma História de Portugal, da colecção Biblioteca do Povo e das Escolas; editor David Corazzi, Lisboa, 1881

Publicado por xoao em setembro 19, 2003 09:01 AM
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