Pelayo (ou Pelágio), o príncipe em torno do qual se agremiava este pequeníssimo punhado de intrépidos guerreiros, conseguiu efectivamente não só manter-se inexpugnável no seu retiro, mas ir inclusivamente pouco a pouco alargando a extensão de seus domínios por sucessiva conquistas sobre os árabes, os quais, sujeitos primeiro ao califado de Bagdad, acabaram em 760 por constituir em Córdova um califado independente, e deste foi Abd al-Rahmam o primeiro califa.
Os sucessores de Pelayo não afrouxaram também no empenho de ir perpetuando a tradição que representavam da velha monarquia goda e ampliando quanto possível a limitada área de seus por ora estreitos domínios.
Favila sucedeu a Pelayo, e ao sucessor de Pelayo sucedeu Afonso I que chegou a alongar a vitória de suas armas até às margens do Douro. 1
Com o sucessivo alargamento da área ocupada pelos representantes da família goda, foi-se o território respectivo retalhando em vários Estados, tais como os reinos de Leão, de Navarra, de Aragão e de Castela.
Em tempo de Fernando o Magno, que reuniu na sua cabeça as coroas de Leão e de Castela, o reino de Leão – que tivera até aí por fronteira meridional o rio Douro – alargou-se para o sul até ao Mondego. O monarca, tomando Coimbra aos Mouros, assentou aí a sua corte.
Ao sul do Mondego o território, que hoje constitui parte importante de Portugal, era naquela época teatro constante de ininterruptas escaramuças entre cristãos e árabes, sorrindo alternativamente a uns ou aos outros os fugazes lampejos de uma efémera vitória.
Por morte de Fernando o Magno, e depois de numerosas peripécias e cruentas lutas entre seus três filhos, veio um deles (Afonso VI) a ficar governando em todos os domínios legados por seu pai.
1 Hoje, é muito polémica a aceitação da tese da sucessão visigótica por parte da monarquia asturiana. Ver “Portugal no Reino Asturiano-Leonês”, História de Portugal, Vol I, Direcção de José Mattoso
Publicado por xoao em setembro 20, 2003 06:50 AM