D. Teresa, sobre cujos ombros pesava agora o encargo de governar o condado, mantinha as tradições ambiciosas de seu marido.
Usando promiscuamente em seus diplomas a par do título de condessa o título de infante (sic) ou mesmo o de rainha, ou ambos simultaneamente, - títulos que desde Fernando o Magno as filhas de reis usavam comummente quando sobre algum território exerciam governo e domínio, - propunha-se com intrepidez sustentar luta contra a supremacia de sua irmã; e, quando esta faleceu em 1126, a infanta-rainha podia já, senão oficialmente de direito, pelo menos de facto, considerar-se independente nos seus Estados.
Malogrou-se-lhe, porém, a sua ardente ambição de mando supremo perante outra paixão não menos ardente.
Perdida de amores pelo conde galego Fernão Peres de Trava, D. Teresa excitou a animadversão dos barões portucalenses, cujo brioso orgulho se recusava a aceitar supremacias estranhas.
Começaram, pois, os descontentes a agitar-se e acabaram por agremiar-se em torno de D. Afonso Henriques, o filho do conde borgonhês.