
Enérgico e valoroso apesar de seus verdes anos, o moço príncipe não hesitou em arvorar o pendão da revolta e constituir-se chefe dos que pugnando contra o procedimento escandaloso de D. Teresa miravam sobretudo a acabar com a ingerência do conde galego nos negócios do Estado.
Ferida em 1128 junto a Guimarães na célebre Batalha de S. Mamede em que as hostes de D. Afonso Henriques derrotaram os partidários da infanta-rainha e do conde de Trava, - ficava posto à frente dos estados, que seu pai governara, um príncipe que apesar de contar apenas dezassete anos de idade, porquanto havia nascido em Guimarães, em 1111, deixava já sobressair talento político a par da intrepidez e do valor guerreiro, astúcia e manha a par do génio ambicioso e fogoso, a par da energia viril os dotes não menos recomendáveis do tino prudencial.
A vida de D. Afonso Henriques tinha de passar-se quase toda na refrega dos combates. Primeiro houve as lutas contra seu primo, o filho de D. Urraca, Afonso VII de Leão e Castela, que já durante a regência de D. Teresa o tinha vindo cercar no castelo de Guimarães por ocasião de apresentar-se a reclamar da infanta-rainha o reconhecimento da vassalagem.
Fôra (sic) o caso assim. Afonso VII, cingindo a coroa, entendeu dever obrigar sua tia D. Teresa a prestar-lhe vassalagem; para isso invadiu de mão armada o território português, e foi tomando sem grande custo quantas praças e castelos encontrou no caminho, - ensejo que assaz lhe proporcionavam as dissidências já então pronunciadíssimas entre os partidários da infanta e os de seu filho.
Chegando em frente do castelo de Guimarães, onde o príncipe então estava, Afonso VII pôs-lhe cerco. A situação era apurada e crítica; no castelo não havia forças assaz com que resistir aos sitiantes; os conselheiros de D. Afonso Henriques induziram-no prudencialmente a reconhecer a suserania de seu primo; e desta arte logrou o moço príncipe ver-se livre do cerco, ficando Egas Moniz (aio e mentor do filho de D. Teresa) como penhor responsável pelo cabal cumprimento da palavra do seu pupilo. Depois Afonso VII correra a exigir de D. Teresa igual reconhecimento, e voltara para os seus Estados satisfeito de bom êxito que havia colhido quase sem esforço algum.