setembro 25, 2003

D. Afonso Henriques (2ª parte)

Estava, porém, determinado que assim não continuaria por muito tempo. D. Afonso Henriques, ao assumir o governo de Portugal, revoltou-se contra a ideia de vassalagem que só o aperto crítico das circunstâncias o havia constrangido a prometer. E, almejando sobre a cabeça uma coroa de monarca independente, travou luta com o rei leonês, luta em que o destemido filho de D. Henrique invadindo a Galiza chegou a conquistar várias praças ao norte do Minho.
Nisto, porém, os Mouros vendo-se agora poupados pelas correrias dos portugueses ousaram invadir o norte da Estremadura, e chegaram quase a bater às portas de Coimbra.
Então D. Afonso Henriques, vendo-se entre dois perigos, preferiu ajustar pazes (embora um pouco humilhantes) com seu primo a fim de poder livremente voltar-se contra os Muçulmanos.
A audácia de sua espada descendo rápida como um raio ao encontro das hostes agarenas atravessou vitoriosa o Alentejo e acabou por ir selar na Batalha de Ourique aos 25 de julho de 1139 o brilhante remate daquele encarreirado triunfo em que os Mouros aprenderam de vez a temer e a respeitar a intrepidez das armas portuguesas. Debelado este estorvo, o seu ânimo irrequieto voltou-se de novo contra o rei leonês rompendo as pazes que com este assinara; e a vitória, que o filho de D. Henrique obteve sobre seu primo na batalha ferida em Arcos de Val-de-Vez, engrinaldando-lhe a fronte de verdes louros e derramando em torno do seu vulto o prestígio da heroicidade, levou-o enfim a aceitar definitivamente o título de rei, com que os seus súbditos já desde muito o aclamavam e festejavam, habituados como ficaram a tratar de rainha a infanta viúva D. Teresa.
Foi pois em princípios de 1140 que D. Afonso Henriques tomou pela primeira vez oficialmente o título de rei, - e, para que bem garantido lhe ficasse na fronte o diadema régio contra as pretensões do rei leonês, a quem por modo nenhum quadrava esta teimosia de seu primo em negar-lhe agora vassalagem, o novo monarca recorreu ao diplomático expediente de colocar a coroa sob protecção do pontífice, declarando o seu reino tributário da Santa Sé.

Publicado por xoao em setembro 25, 2003 06:13 AM
Comentários