setembro 28, 2003

D. Sancho I

A história, que deu a D. Afonso Henriques o cognome de Conquistador, designa D. Sancho I pelo epíteto de Povoador.
Quer isto dizer que D. Sancho não herdou de seu pai as tendências guerreiras? Não quer.
D. Sancho, digno filho de D. Afonso I, que já em tempo de seu pai tinha demonstrado o que valia e podia o vigor de sua espada nos denodados certames contra a mourisma, soube continuar as tradições heróicas de sua família prosseguindo na senda das conquistas, tomando aos Mouros Elvas e Palmela, finalmente aproveitando o auxílio de uma esquadra de cruzados, que por ocasião velejava nas costas de Portugal, para em 1189 se apoderar de Silves – o que lhe facultou ensejo de intitular-se rei de Portugal e dos Algarves.
Não limitou a isso, porém, a sua enérgica actividade. Mas fundando e reconstruindo povoações, dando forais a concelhos, e, numa palavra, desenvolvendo o gérmen da vida municipal, D. Sancho I mereceu indisputavelmente o cognome com que a posteridade o ficou designado na história.
Simultaneamente sustentava com válida pujança a luta contra a prepotência do clero representada pelos bispos do Porto e de Coimbra que se recusavam em suas dioceses a reconhecer a supremacia temporal do monarca, e na tenaz defesa das prerrogativas régias não hesitou mesmo em afrontar as iras do pontífice.
Falecido em Coimbra após 26 anos de governo, jaz na capela-mor da igreja de Santa Cruz em mausoléu fronteiro ao de seu pai, - mausoléu que também el-rei D. Manuel lhe mandou erguer.

Publicado por xoao em setembro 28, 2003 06:44 AM
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