Quando D. Afonso II faleceu, não contava ainda catorze anos de idade o primogénito do seu matrimónio com D. Urraca (filha de Afonso IX de Leão). Daí resultou que durante a menoridade do novo rei D. Sancho II foram os ministros de seu pai quem ficou sustendo as rédeas da governança.
As ambições do poder clerical encontravam agora o ensejo de fazer reviver suas insaciáveis pretensões. Faltáva-lhes a debelá-las o braço enérgico e possante de D. Afonso. Sentiam-se afoitos perante um rei-criança, cujos ministros e tutores lhes não podiam opor o prestígio pessoal tão influente naquelas eras.
Não admira, pois, que os ministros durante a menoridade de D. Sancho houvessem de transigir com as exigentes pretensões daqueles mesmos, a quem aliás el-rei D. Afonso tão vigorosamente soubera sempre resistir.
De três membros se compunha este conselho, que a seu cargo tinha a tutoria do príncipe e a regência do reino. Eram eles: - Gonçalo Mendes (o chanceler-mór), Pero Anes de Novoa (o mordómo-mor) e Vicente (o deão de Lisboa).
Quando o príncipe afinal atingindo a maioridade chegou a empunhar o ceptro real, achavam-se desfrutando de toda a preponderância o clero e a nobreza, - verdadeiros potentados que aliás se digladiavam e hostilizavam porque cada um deles pugnava exclusivamente pelo alargamento de suas prerrogativas e realização de suas ambições sempre insaciáveis, nunca satisfeitas.
Quer isto dizer nada mais, nada menos, que estavam inutilizadas e perdidas quantas brilhantes conquistas el rei D. Afonso II havia realizado em prol da autoridade régia.
De ânimo irresoluto e pouco apto para lutas políticas, D. Sancho II não era homem talhado para reconquistar as prerrogativas perdidas.
Debalde seus velhos ministros, em cujos ombros el-rei continuou a delegar a administração suprema dos negócios públicos, tentaram à sombra do monarca recolocar as coisas no pé em que D. Afonso as havia deixado.
Nem D. Sancho tinha a energia indispensável para com ele poderem contar na ocasião precisa, - nem a pouca força moral que dele poderiam receber bastaria para os habilitar a sair de situação tão crítica.
nao tenho nada a comentar
Continuamos a ser governados, hoje, por vendidos!
Os de hoje ao poder económico como os de ontem ao poder eclesiástico.