outubro 03, 2003

D. Afonso III (1ª parte)

E o seu maior feito de gloria consiste em haver expulsado definitivamente do Algarve o domínio mourisco – façanha brilhante que se realizou em 1249, - ficando daí por diante completamente ocupado e possuído pelos portugueses todo o território quanto de norte a sul se estendia desde a margem meridional do Minho até ao cabo de Santa Maria.
Ainda neste reinado continuaram as lutas contra o clero e contra a cúria pontifícia. Os bispos, não encontrando no monarca o instrumento dócil que pressupunham, começaram a hostilizá-lo apelando para Roma contra o firma propósito que D. Afonso III manifestava de não consentir a ingerência do clero nos negócios temporais.
Por outro lado o rei, divorciando-se de D. Matilde sob pretexto de esterilidade, resolveu passar a segundas núpcias ajustadas com D. Beatriz (filha bastarda de Afonso X, rei de Castela), - ajuste por que haviam terminado as contendas entre os dois Afonsos, provocadas pelos direitos que ambos invocavam à posse do Algarve. O rei português aduzira o seu direito de conquista; o castelhano invocava a doação que um dos valis mouriscos lhe fizera do território algarvio; daqui haviam brotado lutas entre os dois rivais; o projectado consórcio acabava com as rivalidades; a posse mansa e pacífica do Algarve, concedida pelo rei castelhano ao português, representava uma espécie de dote.


Para aqueles que chegaram pela primeira vez a este blog, esta é a transcrição de uma História de Portugal, da colecção Biblioteca do Povo e das Escolas; editor David Corazzi, Lisboa, 1881

Publicado por xoao em outubro 3, 2003 11:02 AM
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