
Este foi D. Dinis, o Lavrador, assim cognominado pela imensa protecção que dispensou à agricultura.
Aí está ainda hoje o soberbíssimo pinhal de Leiria que ele mandou plantar, constituindo um padrão solene da sua glória imorredoura.
A par disto as letras deveram-lhe não somenos protecção.
Criando no ano de 1290 em Lisboa uma universidade que mais tarde (em 1307) transferiu para Coimbra, e cultivando pessoalmente as letras com esmero, a ponto de nos deixar um cancioneiro de sua composição, que realmente lhe dá direito a ser qualificado entre os mais célebres trovadores de Portugal, D. Dinis inaugurou uma era de verdadeira evolução no movimento intelectual do nosso país.
Simultaneamente a indústria, o comércio e a marinha encontravam nele mui desvelado protector.
D. Dinis é um digno continuador de el-rei D. Sancho I no tocante aos negócios da administração interna.
O rei Lavrador completa efectivamente por forma brilhante a obra do rei Povoador.
Pena foi que de espaço a espaço viessem perturbá-lo na sua laboriosa e prestantíssima tarefa de paz e civilização os desgraçados conflitos de família, primeiramente com seu irmão D. Afonso Sanches e mais tarde com seu próprio filho, aquele que um dia havia de suceder-lhe na coro sob nome de D. Afonso IV.
Que eu saiba D. Afonso Sanches era filho bastardo e não irmão de D. Dinis
Afixado por: Manuel Serra em novembro 4, 2004 11:58 PM