Dos cinco filhos foi D. Duarte o primogenito, D. Duarte que mereceu pelas suas condições de letrado o cognome de Eloquente, D. Duarte que deixou como documento interessantíssimo da sua cultura literária dois livros por ele escritos: o “Leal Conselheiro” e o “Livro da Ensinança de Bem Cavalgar Toda a Sela”.
À ilharga de D. Duarte seus quatro irmãos desempenham todos, cada um por seu modo, um papel brilhantíssimo. D. Henrique é o iniciador dos descobrimentos e conquistas de além–mar. D. Fernando, cognominado o Infante Santo, constitui-se modelo inexcedível de abnegação pela pátria quando na jornada de Tanger contra os Mouros de África, sendo mal sucedidos os portugueses, se presta cavalheirosamente a ficar de refém como penhor e garantia de Ceuta, cuja restituição o inimigo exigia; lá falece em Fez vítima dos maus tratos dos Mouros; lá se fina inabalável na constância de seu heróico civismo, resignando-se a acabar nas masmorras mouriscas com tanto que Portugal não perca a importante praça de Ceuta. Cavalheiroso e fiel companheiro dos irmãos nos seus gloriosos empreendimentos é ainda o infante D. João, condestável do reino. Mártir como D. Fernando, finalmente, e escravo, como ele, do fiel cumprimento de seus deveres, surge-nos por último o vulto poético do infante D. Pedro, que tão tristemente devia acabar no reinado seguinte.
Curta e dolorosa correu a administração de D. Duarte. Para a enlutar foram de sobra o trágico fim do infante D. Fernando e a peste que assolou cruelmente o reino, peste de que o próprio monarca veio a falecer em Tomar.
Ainda assim, ficou o seu governo assinalado pela brilhante continuação do impulso uma vez dado na senda dos empreendimentos marítimos. Gil Eanes dobrando em 1434 o cabo Bojador e Afonso Gonçalves Baldaia descobrindo em 1436 o Rio do Ouro vinculam seus feitos notáveis ao curto reinado de el-rei D. Duarte. Por morte deste, sucedia-lhe na coroa um príncipe de menor idade, seu filho D. Afonso V.