Africano o cognominou a história pelas proezas com que ilustrou o seu braço pugnando valorosamente nas regiões de além-mar e engastando novas pedrarias na coroa que herdara de seu pai. Alcacer-Ceguer tomada aos Mouros em 1457 e Arzila em 1472 constituíram-lhe na sua fase de conquistador dois padrões gloriosos. Por último a própria Tanger, ante a qual no reinado antecedente haviam sido infrutíferas as tentativas dos filhos de el-rei D. João I, - Tanger, a cuja primeira expedição anda tristemente anexa a história do cativeiro e do desastroso fim do infante D. Fernando, - Tanger acabou por vir acrescentar os domínios ultramarinos de Portugal.
Simultaneamente continuava sob o impulso do infante D. Henrique (tio de el-rei), que só em 1460 veio a falecer, a brilhante série das expedições marítimas. Nuno Tristão descobria o Cabo Branco e começava a exploração da costa da Senegambia; seguiam-se-lhe Dinis Dias e Álvaro Fernandes que avistavam a Serra Leoa; Diogo Gomes e António de Nola descobriam o arquipélago de Cabo Verde; Fernão Gomes conseguia chegar à costa da Mina; e por último, em 1470, João de Santarém e Pedro de Escobar desembarcavam nas ilhas de S. Tomé e Príncipe.