D. João II, porém, morria sem deixar descendentes legítimos. O príncipe D. Afonso, que se finara vitima de um desastre, caindo em Santarém de um cavalo abaixo, fora o único filho que el-rei tivera do seu consórcio com sua prima D. Leonor (filha do infante D. Fernando, duque de Viseu).
Quem pois o monarca designou por herdeiro do trono, e efectivamente lhe sucedeu, foi o duque de Beja, D. Manuel, seu primo e seu cunhado, irmão daquele mesmo duque de Viseu que ele outrora em Setúbal havia apunhalado.
A circunstância de cair a coroa, inesperadamente e contra todas as previsões, na fronte de D. Manuel (filho do duque de Viseu D. Fernando, e portanto sobrinho de D. Afonso V) justifica o epíteto de Afortunado ou Venturoso, com que a história o cognomina, - mais ainda que a brilhante série de descobrimentos com que seu reinado se ilustrou, porquanto as expedições de Vasco da Gama e de Pedro Álvares Cabral, representando os dois mais notáveis feitos na história marítima do nosso povo, devem antes considerar-se consequência necessária do impulso que D. João II imprimira à grande obra encetada pelo infante D. Henrique do que propriamente um acto da iniciativa de el-rei D. Manuel.