novembro 09, 2003

Vasco da Gama


Bartolomeu Dias, dobrando, no reinado precedente, o Cabo da Boa Esperança, tinha aberto o caminho transatlântico para a Índia.
Restava só que aparecesse quem lograsse percorrê-lo até ao termo final.
Este foi Vasco da Gama que aos 8 de Julho de 1497 saía da barra do Tejo com uma esquadrilha de quatro navios e em 20 de Maio de 1498 conseguia aportar em Calecut.
O ousado navegador acabava de ganhar para Portugal o riquíssimo território de todo o Oriente.
E, quando no ano seguinte regressou à pátria, encontrou a remunerá-lo das fadigas que sofrera o entusiasmo de seus conterrâneos e a gratidão de el-rei que o encheu de mercês e honrarias, tais como o tratamento de Dom (tanto para ele como para seus irmãos e descendentes), o título de conde da Vidigueira, a dignidade de almirante do mar das Índias, a faculdade de mandar vir em todas as armadas duzentos cruzados de fazenda com feitor seu, e finalmente, além de vários outros privilégios e tenças, a concessão de poder tomar o comando em qualquer armada que partisse para a Índia. Esta última circunstância rebate vitoriosamente a injusta acusação de ingrato que a maior parte dos historiadores lançam em rosto a D. Manuel com respeito ao descobridor da Índia. Para com outros seria o monarca ingrato, mas não para com Vasco da Gama. O privilégio, que lhe fora concedido de preferir a todos os outros capitães, no comando das armadas com destino à Índia, mostra assaz que, se expedições houve a cujo comando ele não presidiu, é porque o ilustre navegador declinou essa honra, e só em casos muito graves entendeu dever acudir com a sua excepcional energia, como sucedeu em 1524 (já no reinado de D. João III) ano em que o conde da Vidigueira partiu por terceira vez para a Índia, e lá veio a falecer em Cochim com 56 anos de idade, aos 25 de Dezembro de 1525. Não pode, pois, atribuir-se a ingratidão ou desconsideração do monarca para com quem tamanho serviço lhe havia prestado, mas antes a causas cuja natureza hoje nos escapa, a circunstância de ser Pedro Álvares Cabral o comandante da primeira esquadra que de Portugal saiu em direcção à Índia depois do regresso de Vasco da Gama.

Publicado por xoao em novembro 9, 2003 09:00 AM
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