novembro 15, 2003

D. Sebastião (1ª parte)


El-rei D. Sebastião, a quem puseram o cognome de Desejado, recebeu desde tenros anos em sua educação a influência do elemento jesuítico. Para isso bastavam de per si a tutela do cardeal seu tio e os conselhos do seu preceptor Luís Gonçalves da Câmara. Por aqui se explicam as suas tendências ascéticas; simultaneamente com estas desenvolviam-se-lhe devaneios guerreiros, quixotescos um pouco, mas exaltadíssimos e grandiosos.
O próprio cantor dos Lusíadas, inclusivamente, lhe incitava e estimulava esses brios fogosos e cavalheirescos ao dizer-lhe na dedicatória do seu imortal poema:


E vós, ó bem nascida segurança
Da Lusitana antiga liberdade,
E não menos certíssima esperança
De aumento da pequena Cristandade,
Vós, ó novo temor da Maura lança,
Maravilha fatal da nossa idade,
Dada ao mundo por Deus que todo mande,
Para do mundo a Deus dar parte grande,
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Vós, poderoso rei, cujo alto império
O sol logo em nascendo vê primeiro,
Vê-o também no meio do hemisfério
E, quando desce, o deixa derradeiro,
Vós, que esperamos jugo e vitupério,
Do torpe Ismaelita cavaleiro,
Do Turco oriental e do gentio
Que inda bebe o licor do santo rio....
...................................................

(Lus. I, 6 e 8)

Publicado por xoao em novembro 15, 2003 06:48 AM
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