novembro 20, 2003

Camões




Jazia a pátria em luto. Luís de Camões, incomparável cantor das nossas glórias, fechando os olhos nas sombras do túmulo, aos 10 de Junho desse mesmo ano, quando já lhe não restavam esperanças de salvação naquele naufrágio tremendo em que tudo se afundava, murmurava num supremo arranco de desconsolo: - “Ao menos morro com a pátria!” Ele que fora o sol deslumbrantíssimo no meio daquelas refulgentes constelações em que se desatara a fase áurea da nossa literatura, encerrava o ciclo atirando com os Lusíadas ao mundo, para que a todo o tempo se soubesse e em todo o orbe quem havíamos sido e quanto havíamos valido.

A constante referência a Camões e o destaque que lhe é dado, nesta obra, é compreensível se olharmos à data de publicação (1881). No ano de 1880, tinham-se realizado as enormes comemorações do tricentenário da morte de Camões. Por este período, Camões tornou-se um herói, um símbolo da consciência nacional. Estas comemorações foram aproveitadas pelo movimento republicano e tiveram uma adesão popular fora do comum. Notícias da época falam de 200.000 participantes.
A própria editora desta História de Portugal (Corazzi) associou-se a estas comemorações, publicando uma edição de Os Lusíadas, com ilustrações de João Dantas (Nota do autor do blog).

Publicado por xoao em novembro 20, 2003 03:00 PM
Comentários