Ao prior do Crato, porém, não se apagavam de todo no desastre da ponte de Alcântara os últimos lampejos da esperança. Quis revoltar em seu favor as províncias do norte; quis por último continuar a resistência na ilha Terceira, que se lhe conservara fiel; conseguiu que a França lhe fornecesse uma esquadra; alcançou da Inglaterra uma expedição para coadjuvar-lhe as pretensões; tudo teve de ceder ante as desproporcionadas forças de el-rei de Castela! E D. António, o Malogrado, veio a falecer, já desiludido, em Paris, quando exactamente se completavam quinze anos e um dia depois daquele seu primeiro revés na ponte de Alcântara. Lá ficou sepultado em França, no convento grande dos franciscanos de Paris o cadáver deste desventurado português; o seu coração foi depositado no convento da Ave-Maria depois de recolhido a uma urna em cujo epitáfio puseram o título de rei; isso e algumas moedas que veio a cunhar, já hoje raras nas colecções numismáticas, eis os documentos que nos restam do seu efémero e disputadíssimo reinado.
Publicado por xoao em novembro 22, 2003 07:37 AM