novembro 22, 2003

D. António

Ao prior do Crato, porém, não se apagavam de todo no desastre da ponte de Alcântara os últimos lampejos da esperança. Quis revoltar em seu favor as províncias do norte; quis por último continuar a resistência na ilha Terceira, que se lhe conservara fiel; conseguiu que a França lhe fornecesse uma esquadra; alcançou da Inglaterra uma expedição para coadjuvar-lhe as pretensões; tudo teve de ceder ante as desproporcionadas forças de el-rei de Castela! E D. António, o Malogrado, veio a falecer, já desiludido, em Paris, quando exactamente se completavam quinze anos e um dia depois daquele seu primeiro revés na ponte de Alcântara. Lá ficou sepultado em França, no convento grande dos franciscanos de Paris o cadáver deste desventurado português; o seu coração foi depositado no convento da Ave-Maria depois de recolhido a uma urna em cujo epitáfio puseram o título de rei; isso e algumas moedas que veio a cunhar, já hoje raras nas colecções numismáticas, eis os documentos que nos restam do seu efémero e disputadíssimo reinado.

Publicado por xoao em novembro 22, 2003 07:37 AM
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