Herdou a coroa D. Filipe III (IV de Castela), filho do precedente e de sua esposa D. Margarida d’Austria (filha do arquiduque Carlos). Dos três Filipes foi este sem contestação o mais inepto; seria por isso que a história lhe dá o cognome de Grande? Há por vezes destas inconsequências inexplicáveis! Sob a política opressiva do conde-duque de Olivares, braço direito de el-rei e seu primeiro ministro, Portugal viu agravarem-se cada vez mais seus vexames. As nossas colónias, os nossos estabelecimentos de além-mar iam tristemente por água abaixo. Em 1622 perdíamos Ormuz: em 1624 tomavam-nos a Baía os Holandeses (que só no ano seguinte vieram a ser de lá expulsos, quase exclusivamente por esforço nosso); em 1630 tomavam-nos Pernambuco, e em 1637 S. Jorge da Mina; várias outras feitorias da África Ocidental seguiam destino idêntico; Mombaça passava para poder dos Cafres; as Molucas deixavam de ser possessão nossa; os soldados portugueses serviam só para ir combater por Castela em Flandres e na Itália; para cúmulo de escárnio o conde-duque de Olivares enviava-nos por governador uma mulher, a duquesa-viúva de Mântua, D. Margarida, com um português por secretário, Miguel de Vasconcelos, um português renegado, vendido de corpo e alma à política ominosa do conde-duque!
Publicado por xoao em novembro 26, 2003 05:09 PMAntes de mais, aplaudo com intenso regozijo a sua imensa tarefa cultural de transcrição de textos históricos. Como investigador especializado precisamente no domínio filipino, achei redobrado interesse nestes últimos três "posts", embora o seu conteúdo esteja (obviamente) datado. Nobre empreendimento, numa blogosfera ainda pobre em cultura histórica. Parabéns e aqui fica o anúncio de um futuro "link" no meu humilde "blog". Voltarei concerteza. :-)
Afixado por: João Vaz em novembro 26, 2003 07:22 PMObrigado!
Afixado por: João Sarmento em novembro 27, 2003 02:24 PM