Um estado assim de coisas é que não podia por muito tempo durar. Começavam os olhos dos portugueses a fixar-se no duque de Bragança, D. João, neto da duquesa D. Catarina, bisneto do infante D. Duarte (filho de el-rei D. Manuel), e portanto genuíno representante da dinastia de Avis. Um punhado de intrépidos patriotas, entre os quais figurava a flor da nossa fidalguia, propôs-se libertar a pátria do cativeiro que a subjugava. A alma desta arrojada conjuração era o Dr. João Pinto Ribeiro, por intermédio de quem os conjuradores se entendiam com o duque de Bragança. Tinha o duque génio um tanto indeciso, timorato e pouco adequado talvez para cometimentos desta natureza; foi, porém, a duquesa sua esposa, D. Luísa de Gusmão, filha dos duques de Medina-Sidonia, quem corajosamente o induziu a sair daquela perplexidade e a aceitar o posto de honra que a pátria lhe oferecia.
Publicado por xoao em novembro 27, 2003 04:09 PM