novembro 28, 2003

A Restauração (2ª parte)

No 1º de Dezembro de 1640 dirigiam-se de súbito os quarenta conspiradores ao Terreiro do Paço, e aos gritos de – Viva D. João IV rei de Portugal! – conseguiam, por um destes arrancos milagrosos que só o amor da pátria inspira, desarmar a guarda do palácio, matar Miguel de Vasconcelos (o secretário do governo) e prender a duquesa de Mântua. Em breve aqueles quarenta patriotas se achavam secundados pela adesão de todo o povo não só na capital mas nas províncias. Raiava novamente esplêndido o sol da liberdade em Portugal. À voz da metrópole responderam também quase uníssonas as possessões ultramarinas.
O que envergonha é que no meio de tudo houve quem, aliás nascido em torrão português, não hesitou em tramar contra a autonomia da pátria. Mais de uma conspiração se organizou nesse nefando intento. Pagaram, porém, com a vida alguns daqueles sobre quem recaiu a tremenda acusação de tão odioso crime; tais foram, por exemplo, o duque de Caminha, o conde de Vila Real e o ministro Francisco de Lucena, que perderam a cabeça no patíbulo; ao arcebispo de Braga valeu-lhe a sua alta dignidade prelatícia para simplesmente ser condenado a cárcere perpétuo. Reprimidas pela energia do novo governo estas tentativas contra a liberdade da pátria, seguia-se preparar o país para a luta que infalivelmente havia de travar-se quando Filipe de Castela entendesse dever enviar-nos suas tropas a disputar a coroa que lhe arrebatavam. Não se fez efectivamente esperar a guerra. Mas dessa prolongada campanha só em 26 de Maio de 1644 é que veio a ferir-se a primeira acção importante; foi ela a batalha de Montijo ganha pelos portugueses sob o comando de Matias de Albuquerque.

Publicado por xoao em novembro 28, 2003 09:16 PM
Comentários

a batalha de Montijo nao e ganhada pelos portugueses mais sim pelos espanhois, e con muito foi uma batalha indecisa, con muitos mortos, feridos e prisioneiros portugueses. Isa e a verdade.

Afixado por: carlos em janeiro 4, 2004 02:22 AM

Os espanhóis sempre tiveram uma grande incapacidade de reconhecer todas as derrotas que tiveram ao longo da sua história, mas com Portugal têm ainda mais dificuldade, aliás se se ler a sua historia escrita por eles mesmo tem-se a noção que portugal apareceu do nada e se formou sem qq tipo de lutas contra eles, tendo integrado parte de espanha durante 60 anos, restaurando a sua independencia quase sem luta.Existe hoje em dia devido à boa vontade do vizinho 4 vezes maior(Ui que medo!!!).
Carlos! apesar de seres espanhol não digas barbaridades

Afixado por: pedro silva em janeiro 16, 2004 04:04 PM

Amigo, sao galego espanhol, e com muito amor por Portugal e admiraçao pola sua historia e herois, muitisimo respeto por todos eles, son licenciado en Historia e com muitas intervençoes o publicaçoes en Historia militar espanhola e portuguesa. Si realmente entramos no insulto nao entrarei mais no campo da sana diferencia de criterios.
Tenño publicado muitos estudos da batalha de Montijo e por muito que poda doer nao foi uma derrota dos castelhanos mais sim uma victoria nao decisiva con muitos prisioneros e mortos, ainda quedan as actas dos prisioneros portugueses das cadeas de Andalucia procedentes da derrota de Montijo. Nao pode negarse das derrotas de Elvas, Ameixial, Montesclaros e Castel Rodrigo.
Portugal e maravilloso, mais penso que houbo muitas batalhas ganhadas e perdidas, todos os paises esquecen as derrotas e falan das victorias, seguro que os portugueses nao falan nunca dos desastres que tiveron con muitos mortos e feridos e prisioneros das batalhas de Caia (1709, de esta pesada derrota portuguesa e inglesa nao se fala nada en Portugal,ainda que foi desastrosa), Almansa, Saltes, Toro, Alcantara, Arronches (1801) Albuera (1479) etc etc, mais amigo espero respeto na sua resposta e si quere falar entre amigos, eu son galego e nao teño odio en absoluto por Portugal ainda que sempre intentou conquistarnos e anexarnos a Portugal. Si entramos no insulto adeus amigo.

Afixado por: carlos Alves em fevereiro 18, 2004 07:45 PM

Son un galego que a cheago eiqui buscando informacion sobre a bataia de Caia e gustariame darlle a razon o meu compatriota xa que creo que son acertadas todas as cousas que di.Eso de que os espanhois non recoñecemos as nosas derrotas e falso xa que soamente teñen que buscar as nosas derrotas en castelan e encontraran moitas referencias,mais incluso que de as nosas victorias,e que no fondo somos unha xente moi critica hacia os nosos erros.Os espanhois hemos sido derrotados moitas veces e tamen hemos derrotado a outros outras moitas veces mais e todo porque temos unha gran historia militar xa que soamente aqueles que loitan moito arriscanse a perder tamen moitas veces.Eu non quero desmerer as victorias portuguesas pero o mellor que pode facer Pedro Silva e informarse e no seu defecto calar si non sabe dun tema e moito menos faltar o respeto o meu pais e caer no sobervia sobre a independenza portuguesa.As grandes derrotas espanholas aconteceron nun espacio de tempo reducido e non superior os sete anos(1660-1667) con o cual debese a un mal momento dos exercitos da sua maxestade Filipe IV.O frente portugues foi xa non un frente secundario senon terciario xa que Espanha loitaba dende 1621 ata 1648 contra Holanda,dende 1620 interviña na guerra dos trinta anos ata 1648 en Alemaña participando en grandes batalhas como a derrota do gran exercito sueco en Nordlinguen,dende 1640 loitaba contra os catalans sublevados e dende 1635 ata a paz dos Pirineos Espanha loitou contra a Francia de Luis XIII e Luis XIV.Espanha levaba loitando ininterrumpidamente en tres ou catro frentes e as colonias 40 anos no ano 1660.Espanha estaba agotada e agora,e so agora era cando pudo dispor de efectivos para golpear con forza os portugueses.Pero Espanha necesitaba descanso despois de tal esforzo colosal e a eso sumase que os portugueses puideron organizar con apoio extranxeiro un bo exercito.Portugal gañou e convertiuse nunha colonia inglesa durante os proximos douscentos anos.Amigo se non queres oir a verdade mellor e que a proxima vez non faltes o respeto os demais pobos e limiteste a falar da tua gran historia militar con orgullo pero con respeto.Por certo recomendote que busques en portugues as batalhas que anteriormente o meu compatriota galego puxote para que vexas como as grandes derrotas se olvidan con moita facilidade...

Afixado por: Xoan em julho 8, 2004 08:11 PM

Lamento no poder comunicarme en portugués con toda la precisión que quisiera por este motivo utilizaré el castellano. Soy un español que vive en Badajoz ciudad fronteriza y plaza fuerte, como ya sabreis. Estoy muy interesado en la batalla de Montijo y desaría recibir información sobre ella. Pienso que discutir sobre la batalla tomando partido previo por uno de los dos contendientes fasea las conclusiones.
La batalla como tal tuvo dos fases. En la primera fase la infantería portuguesa perdió al menos una tercera parte de sus efectivos (muertos, heridos desertores, huídos, etc); la infantería que permaneció en el campo de batalla rompió su formación y quedó apiñada y sin capacidad de maniobra salvo una agrupación de piqueros. Toda la caballería portuguesa huyó y perdieron la artillería. En esta situación la infantería española rompió la formacion y se dedicó al robo. La mayor parte de la caballaría castellana salió del campo de batalla para perseguir a la portuguesa y la artillería castellana fue retirada del campo de batalla. Poco después Matías de Alburquerque reoorganiza sus tropas contraatacaba, recuperaba su artillería y obligaba al ejército castellano a salir del campo de batalla. En realidad, la presencia castellana era mínima pues la mayoría había huido con el botín y pese a los esfuerzos de los maestres de campo no se logró que permaneciera en el campo de batalla. En cualquier caso, Matías de Alburquerque quedó en este momento como dueño del campo de batalla y vencedor pero la caballería castelana volvió al campo poco después. En estas circunstancias resulta complicado establecer un vencedor.
Mas fácil resulta determinar quien sacó más ventajas del enfrentamiento pero eso es otra cuestión.
Al año siguiente volvieron a enfrentarse Matías de Alburquerque y Molinguen en la batalla de Telena. El encuentro se saldó con una derrota total del ejército portugués.
Sobre las llamadas batallas de Caia se conserva una magnífica descripcción de la la batalla de la Gudiña (Guerra de Sucesión española) que pudiera ser una de esas batallas llamadas de Caia.

Afixado por: Julián García Blanco em novembro 26, 2004 10:53 AM

Sou um curioso e interessado pela guerra de Restauração da Independência de Portugal que decorreu durante 28 anos não só na Peninsula Ibérica contra os espanhóis como também na América do sul contra espanhóis holandeses e franceses, assim como, em Malaca e India contra os holandeses. Foram obtidas vitorias inequivocas e retumbantes contra todos eles, caso contrario o resultado final não teria sido a recuperação da sua independência.Foi um esforço enorme para os recurssos de um país completamente usurpado das suas riquezas e bastante limitado em termos populacionais.
Este ultimo comentário, afigura-se menos apaixonado e mais objectivo que os restantes, além de, mais de acordo com os ultimos estudos e publicações sobre História militar de Portugal.Segundo esta ultima publicação a batalha terminou com uma vitoria Portuguesa pelas razões apontadas pelo ultimo participante neste blog,ou seja,"Poco después Matías de Alburquerque reoorganiza sus tropas contraatacaba, recuperaba su artillería y obligaba al ejército castellano a salir del campo de batalla".
Houve batalhas em que a interpretação também poderá divergir do lado espanhol e que aqui se considera uma vitoria. Como exemplo, batalha de Toro. Considera-se uma vitoria, pois foram as tropas portuguesas que no fim da luta permaneceram no campo de batalha, ainda que o resultado posterior tenha sido adverso às pretensões portuguesas.
Todos os factos,são passiveis de interpretações divergentes.Não existem verdades absolutas.A beleza da história é a capacidade de se reescrever a ela mesma, à medida que os anos passam e algumas luzes são lançadas sobre temas antes obscuros, pelas mais variadas razões, delibaradas ou não.

Se estiverem interessados poderei fornecer nomes e obras de historiadores portugueses que falam sobre este tema.

Afixado por: pedro Abreu em novembro 26, 2004 04:58 PM