Em 1816 expirava no Brasil a rainha D. Maria I, cujos restos mortais tinham de ser mais tarde recolhidos em sumptuoso mausoléu de mármore na igreja do Coração de Jesus que ela mandara edificar em Lisboa. D. João VI, seu filho, assumindo agora o título de rei, deixava-se ficar ociosamente descuidado no mole remanso da sua corte brasileira.
Em Portugal a regência dominada pelo inglês Beresford, general que viera em tempos disciplinar nossas tropas quando tratávamos de resistir às invasões francesas, pesava-nos com todos os vexames do seu egoísmo brutal sobre os negócios da administração pública. Contra este estado de coisas tramou em 1817 um grupo de leais patriotas, entre os quais se contava o ínclito general Gomes Freire de Andrade; descoberta, porém, a conspiração, foi aquele bravo militar condenado à morte afrontosa da forca na Torre de S. Julião da Barra, enquanto alguns de seus cúmplices morriam também patibularmente na praça do Campo de Sant’Anna em Lisboa.