dezembro 20, 2003

D. João VI (3ª parte)

No meio de tudo el-rei D. João VI não era um déspota perverso; antes propenso à bondade o poderemos definir, embora destituído das condições de energia indispensáveis a quem tinha de atravessar quadras tormentosas. Clemente o apelidaram, e este cognome simboliza bem a feição característica do seu génio indolente, pacífico e benévolo, com que tão pouco se combinavam as tendências ambiciosas, violentas e tumultuosas de sua esposa D. Carlota Joaquina (filha de Carlos IV de Espanha) e do infante D. Miguel seu filho.
Este chegou mesmo em 1824 a querer destronar seu pai, sob conselhos talvez da rainha D. Carlota; a abrilada (nome porque se ficou designando o movimento realizado em Abril desse ano) claro é que não tinha outras intenções; o espírito timorato de el-rei nem sequer pensava nos meios com que sair daquela instável situação; salvou-o, porém, a energia do corpo diplomático proporcionando-lhe asilo seguro na nau inglesa Windsor fundeada em frente de Lisboa; D. João, recolhendo-se ali, mandou chamar o infante à sua presença, e logrou fazer abortar os tramas preparados. Em seguida, saiu D. Miguel do reino sob pretexto de ir viajar pela Europa; desaparecia do paço dos nossos reis um constante elemento de revolta e desordem.

Para os recém chegados a este blog, esta é a transcrição de uma História de Portugal, da colecção Biblioteca do Povo e das Escolas; editor David Corazzi, Lisboa, 1881

Publicado por xoao em dezembro 20, 2003 07:38 AM
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