dezembro 30, 2003

D. Maria II

D. Maria II, a quem o duque de Bragança fez entrega da regência do reino logo que as cortes lhe declararam a maioridade, passou pela pungente mágoa de ver morrer seu pai naquele mesmo ano. De Libertador lhe ficou na história o cognome; Rei-soldado o apelidaram outros.
D. Maria II, empunhando as rédeas do governo em anos verdadeiramente tenros, veio presidir a uma sociedade que se achava por assim dizer em estado de renascimento e reconstituição. Não admira pois que em seu reinado tumultuassem os embates partidários com toda a exuberância vital dos organismos nascentes. A revolução de Setembro de 1836, subsistindo a Carta de D. Pedro por uma Constituição mais democrática, deu lugar depois de sucessivas lutas em que o partido cartista (conservador) e o patuleia (progressista) se digladiaram durante anos, e em que chegou mesmo a tomar proporções avultadas a célebre revolta de 1846, - revolta que já agora ficará conhecida na história pela designação popular de Revolução da Maria da Fonte. Finalmente em 1851 rebentou o movimento revolucionário a quem deram o nome de Regeneração, e cujo triunfo ocasionou a convocação de cortes constituintes, nas quais se legislaram as reformas liberais que constam do Acto adicional à Carta; com isso se satisfizeram as exigências do partido avançado, e a guerra civil não tornou mais daí por diante a ensanguentar o nosso país. Logrou Portugal começar então a entrar desafogadamente nas lides do intelecto, únicas em que um povo pode estribar a sua prosperidade e o seu bem-estar.

Publicado por xoao em dezembro 30, 2003 11:21 AM
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