janeiro 10, 2004

D. Pedro V (2ª parte)

Por isso quando, na flor dos anos, a morte o raptou de súbito ao amor de seus súbditos, foi como se o povo sentisse desdobrarem-se-lhe em torno os lutos da orfandade. Nunca houve morte de soberano que mais lastimada fosse. É que no espírito de todos achava-se indelevelmente impressa a memória dos rasgos de heróica abnegação e serena intrepidez com que durante as epidemias da cholera-morbus (em 1856) e da febre amarela (em 1857) D. Pedro havia mostrado realmente ser o pai de seu povo.
D. Pedro e sua virtuosíssima esposa, a rainha D. Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, que pouco mais de um ano logrou de casada e que não chegou a dar sucessores ao trono, foram no sólio português o alvo constante de um fanatismo geral, fanatismo que tocava quase as raias da adoração.
A D. Pedro V chamaram alguns o Esperançoso; de Muito amado o cognominaram outros; melhor o designaríamos talvez dando-lhe o cognome de Rei-modelo, ou com mais propriedade ainda o denominaríamos chamando-lhe o Amigo dos que trabalham, designação com que ele a si próprio se qualificou em um dos elegantes e substanciais discursos que a miúdo pronunciava.

Publicado por xoao em janeiro 10, 2004 08:26 AM
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