Sucedeu-lhe el-rei D. Luís que hoje governa, e que em 1862 casou com a princesa D. Maria Pia de Saboya (filha do rei de Itália Victor Manuel) – uma dama de elevado espírito e sentimentos nobilíssimos.
O herdeiro presuntivo da coroa é o filho primogénito daquele consórcio, o príncipe D. Carlos.
Portugal pode afoitamente proclamar-se o país clássico da liberdade.
Nesse particular, nenhum outro se lhe avantaja, nenhum certamente o iguala, mesmo desses cuja forma governativa apresenta ostensivamente condições mais democráticas.
Se lhe não assiste na actualidade a importância política inerente aos grandes Estados, redunda-lhe como indemnização a tranquilidade e o remanso com que, exclusivamente entregue às sacrossantas lides da civilização e do progresso, nelas concentra desafogado a sua actividade toda.
Nessa cruzada incruenta e pacífica Portugal preza-se de acompanhar sempre os mais adiantados países; e no afirmar de suas tendências nobres, generosas e humanitárias, chega por vezes a dar frisantes lições à Europa, como sucedeu quando em 1867 expungiu definitivamente do seu código a pena de morte, - pena que já el-rei D. Pedro V havia tacitamente abolido de facto, não se prestando nunca a assinar o seu nome em sentenças de semelhante natureza.
Para os recém chegados a este blog, esta é a transcrição de uma História de Portugal, da colecção Biblioteca do Povo e das Escolas; editor David Corazzi, Lisboa, 1881
Publicado por xoao em janeiro 11, 2004 02:20 PM