Um povo nestas circunstâncias revela incontestavelmente que a sua nacionalidade está bem longe de extinguir-se no marasmo da inactividade social ou na voragem dos cataclismos políticos.
De resto, para que tal sucedesse, fora mister arrancar primeiro e aniquilar uma por uma as páginas monumentais dessa epopeia sublime em que o génio titânico de Luís de Camões, consubstanciando as glórias de seus conterrâneos, lhes talhou a imortalidade da apoteose.
Enquanto um povo se abraçar com entusiástica devoção ao sagrado estandarte de seus maiores, impossível lhe será esfacelar-se ou morrer, porque lho veda a própria consciência do que a si deve e aos seus antepassados, - sobretudo quando esse povo é, conforme o definiu Victor Hugo ultimamente por ocasião de celebrar-se o tricentenário do Homero português, «um povo extraordinário que, imperceptível quase no globo se atendermos só às pequeníssimas dimensões do seu país, soube assumir na história um papel grandioso, avassalando as terras como fez a Espanha e avassalando os mares como fez a Inglaterra, sem haver perigo ou dificuldade que lhe ocasionasse um momento sequer de hesitação ou perplexidade.»
A surpreendente animação, com que Portugal solenizou em Junho de 1880 o tricentenário do grande poeta, apresenta efectivamente esta significação altíssima: - um país que não morre; um povo que não se presta a que lhe raspem do mapa-mundi o seu nome gloriosíssimo.
FIM
Acabamos de transcrever, ao longo destes últimos meses, este resumo (esta História de Portugal, em 64 páginas, parecia interminável quando transcrita para o blogue). Justificou-se a transcrição integral, pela temática abrangida e pela narrativa, que a mim me pareceu particularmente interessante, apesar de desconhecer o(s) seu(s) autores.
Esta história judiciosa e apologética, nada asséptica como muita da História ciência e estruturalista pretende ser, é datada, mas particularmente atractiva.
Nos próximos dias seguir-se-ão outras velharias. Algumas ocuparão mais, ou menos tempo que esta. Fica, contudo, quase a certeza que mais nenhuma terá o mérito de ser transcrita na íntegra.