O distinto amador de xadrez que é o senhor Alfredo Araújo Pereira quis dar-me a honra de prefaciar o seu interessante livro comemorativo da passagem por Lisboa do actual campeão do mundo, o Dr. Alekhine.
Trabalho importante sob diversos pontos de vista não é fácil salientar onde está o seu maior valor:
Guardar para a história uma recordação do portentoso talento ou melhor do génio do Dr. Alekhine manifestado entre nós? Concorrer para a propaganda em Portugal da prática do grande jogo?
Pode ainda formular-se a hipótese doutros objectivos, e igualmente desinteressados da parte do autor, mas sem dúvida a última formulada e verificada é a que mais nos importa.
É evidente que o xadrez não goza em parte alguma da estulta retumbância daqueles pobres jogos ou artes que metem punhos ou pés, mas no entretanto já conta em Portugal admiradores numerosos, alguns bons amadores e dispõe de certa organização.
Existem regularmente vários grupos disseminados no país e a Federação Portugues de Xadrez é uma das mais antigas filiadas da respectiva Federação Internacional e as provas em que tem entrado já lhe conferiram nome mundial, havendo a citar em especial o 4º lugar que alcançou no 1º Torneio das Nações feito por correspondência em que cooperou, em mais de 4 anos de provas porfiadas e sensacionais.
Se do opúsculo do meu amigo Araújo Pereira resultar como tudo indica, ainda que só causado pelos atractivos da curiosidade, a formação de alguns novos jogadores, todos lhe devemos, como eu aqui faço, a declaração de que lhe somos gratos.
ANTÓNIO MARIA PIRES
Presidente da Federação Portuguesa de Xadrez