“Não faço comentários, nem quero aqui lembrar as contradições entre este modo de proceder e o da mesma faculdade, quando o ano passado decidia o contrário. A imprensa falará por mim, e tão fortemente como a crença, que eu nela deposito. Incumbe-me só apresentar o facto, para que o público sancione. Depois de proferida tão inclassificável sentença, foram rápidos os sinais de desaprovação da academia, claramente manifestados por uma pateada e sussuro. Não venham porém os caudilhos da velha sociedade taxar estupidamente de rapaziada o que é tão nobre e louvável; porque a esses calaremos injustas arguições, quando lhes dissermos que as primeiras provas de indignação partiam do corpo catedrático das faculdades da Filosofia e Matemática.
Foi então que eu me levantei, e, voltado para a Faculdade de Direito, ergui a minha voz para manifestar um pensamento inoculado em toda a academia. Depois de dar àquele procedimento o seu verdadeiro nome, censurei a faculdade, porque havia insultado o corpo académico, com uma decisão, que era uma ofensa à sua inteligência, e ao direito que lhe competia de ajuizar tais actos. Disse depois que a academia folgaria de ver em toda a faculdade homens como os senhores Forjazes e Adriano Machado, que não podiam de modo algum tomar parte numa infâmia que degradara até à mais baixa posição o primeiro estabelecimento científico do país, e seí pedindo ao corpo académico que me acompanhasse nas demonstrações de ressentimento por tão injustificável proceder.
Tive então a glória e satisfação de ser freneticamente apoiado pela academia e digníssimos lentes das faculdades de Matemática e Filosofia, bem como a de ver em alguns dos membros da faculdade de Direito sinais bem evidentes da sua indignação.
Levantou-se depois o senhor doutor Seco, que tem granjeado no curto espaço do seu magistério uma geral simpatia, e, indignado também, despediu-se da votação. O senhor doutor Adriano Machado procedeu igualmente, e o senhor doutor Mexia Salema teve a louvável generosidade de propor uma votação nominal.”